Banco da Amazônia lucra R$ 1,11 bilhão em 2025, mas enfrenta pressão de crédito e inadimplência

O Banco da Amazônia encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 1,11 bilhão, registrando uma leve queda de 2,4% em relação ao ano anterior. O resultado, embora ainda robusto, reflete um ambiente econômico mais restritivo, marcado por maior pressão sobre o crédito e aumento da inadimplência.

Mesmo com a retração no lucro, o banco manteve um ritmo forte de expansão. A carteira de crédito alcançou R$ 66,8 bilhões, crescimento de mais de 20% em 12 meses, mostrando que a demanda por financiamento segue elevada, especialmente nas regiões atendidas pela instituição.

Crédito cresce, mas risco também aumenta

O avanço das operações de crédito foi um dos principais motores do desempenho do banco. As contratações somaram cerca de R$ 23,8 bilhões ao longo de 2025, evidenciando a busca por recursos por parte de produtores e empresas, principalmente no agronegócio.

No entanto, esse crescimento veio acompanhado de um aumento relevante no risco. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,67%, mais que o dobro do registrado no ano anterior.

Esse movimento reflete um cenário macroeconômico mais apertado, com juros elevados, custos de produção altos e margens mais pressionadas fatores que impactam diretamente a capacidade de pagamento, sobretudo no setor rural.

Agro no centro da pressão financeira

O agronegócio, principal público atendido pelo banco, tem enfrentado um período de ajustes. A combinação de queda nos preços de algumas commodities, aumento dos custos (como fertilizantes e logística) e restrição de crédito tem dificultado o fluxo de caixa de produtores.

Esse cenário ajuda a explicar o aumento da inadimplência e a necessidade de maior cautela na concessão de novos financiamentos.

Ainda assim, o banco segue desempenhando papel estratégico como agente de fomento na região Norte, sendo responsável por grande parte do crédito de longo prazo voltado ao desenvolvimento econômico local.

Resultado operacional segue forte

Apesar dos desafios, o banco apresentou crescimento nas receitas totais, que avançaram mais de 22% no ano, impulsionadas principalmente pela expansão das operações de crédito e serviços financeiros.

O patrimônio líquido também evoluiu, chegando a cerca de R$ 7,2 bilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio (ROAE) ficou em 16,2%, indicando um nível ainda saudável de rentabilidade, mesmo com a leve retração.

Perspectiva: equilíbrio entre expansão e risco

O desempenho do Banco da Amazônia em 2025 mostra um cenário típico de transição: crescimento operacional consistente, mas com aumento dos riscos.

Para os próximos períodos, a tendência é de maior seletividade na concessão de crédito, com foco em qualidade da carteira e controle da inadimplência.

Ao mesmo tempo, a demanda por financiamento deve continuar elevada, principalmente no agro, o que mantém o banco em posição estratégica dentro da economia brasileira.

O desafio será equilibrar expansão com segurança financeira em um ambiente ainda marcado por incertezas.

Fonte: InfoMoney
Texto: Gabriel Silva

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