A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a impactar diretamente o agronegócio global, elevando os preços dos fertilizantes e pressionando os custos de produção no Brasil.
O movimento ocorre em um momento estratégico do calendário agrícola, quando produtores iniciam a compra de insumos para a próxima safra. Com isso, o aumento nos preços já deve ser incorporado aos custos da produção nos próximos ciclos.
A alta está diretamente ligada à instabilidade na região, responsável por cerca de 20% da oferta global de fertilizantes, como ureia e amônia. Além disso, o risco logístico no Estreito de Ormuz uma das principais rotas comerciais do mundo tem ampliado a incerteza no fornecimento.
Como os fertilizantes são produzidos a partir do gás natural, qualquer tensão na região impacta diretamente os custos. Com o conflito, o preço da ureia já apresenta alta relevante no mercado internacional, refletindo o encarecimento da produção e do transporte. Dependência externa amplia impacto no Brasil
O Brasil está entre os países mais vulneráveis a esse tipo de crise. Atualmente, o país importa entre 85% e 90% dos fertilizantes utilizados no campo, o que torna o custo agrícola altamente sensível às oscilações internacionais.
Na prática, isso significa que qualquer aumento global é rapidamente repassado ao produtor rural. Como os fertilizantes representam cerca de 40% do custo de produção em algumas culturas, o impacto é direto na rentabilidade.
Além disso, o cenário pode levar produtores a reduzir o uso desses insumos, o que compromete a produtividade e pode afetar o volume das próximas safras.
Risco vai além do campo
O aumento nos custos de produção tende a se refletir também no consumidor. Com o agro gastando mais para produzir, há pressão sobre os preços dos alimentos, especialmente no médio prazo.
Especialistas alertam que, caso o conflito se prolongue ou haja bloqueios mais severos nas rotas comerciais, o impacto pode ir além dos preços, afetando também a disponibilidade de fertilizantes no mercado global.
Fragilidade estrutural exposta
A crise evidencia um problema estrutural do Brasil: mesmo sendo uma potência agrícola, o país ainda depende fortemente da importação de insumos estratégicos.
Esse cenário reforça a vulnerabilidade do agro brasileiro a choques externos e levanta debates sobre a necessidade de ampliar a produção nacional de fertilizantes e diversificar fornecedores.
Fonte: Economic News Brasil
Texto: Gabriel Silva





